segunda-feira, 29 de março de 2010

Cata-ventos

Era um sorriso inocente, até um pouco alegre que se mantinha no fragil rosto escondido.
-Pode me procurar agora mamãe, ja estou bem escondido.
Realmente estava. Atras do nevoeiro sujo, na ultima lata, estava escondido, com provável sede, fome e saudades.
De uma vida que nunca teve, esperava pacientemente.
- Mamãe, venha logo, não estou tão escondido assim.
Silêncio.
- Venha logo, estou com frio.
Suas lagrimas há muito ja haviam se esgotado, mas ainda chorava por dentro
- Mamãe, por que você não vem?
Por que ela não vinha? que mal havia ele feito.
Abandono.
Silêncio.
Choro.
E no calar mais frio e triste da noite, ela veio, tocou-lhe sutilmente os ombros, ofereceu-lhe um abraço e beijou-lhe as maçãs do rosto.
Seu véu negro não o incomodava, nem pra onde ela o levaria.
Levou-o, no calar mais frio, na viela mais escura, no sorriso mais sincero.
Conforto.


[Baseado em uma vida real]

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